21/02/2011

Miserável homem que sou

Na esteira da postagem do Leo, Cristianismo em linha reta, e estando eu também, “arre”, “farto de semideuses”, vale lembrar que a supremacia dos eleitos não é deles, mas dAquele que elege… A Ele, pois, a glória.

Publicado também no RVJ (e ligeiramente editado aqui no 5C).

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Eu não tenho muita simpatia pelas pessoas. A maioria delas é obtusa por demais. A maioria delas é grosseira demais. E se estão em qualquer ajuntamento, isso fica ainda pior. Há uma certa aversão venal em mim quando as vejo. E a aversão é recíproca. Eu não provoco simpatia nas pessoas. Isso parece sugerir um total afastamento meu para com os da minha própria espécie. Prefiro livros a gente! Mas será mesmo assim?

Presenciei um longo debate que procurava estabelecer se um cristão é, em algum sentido, diferente de um incrédulo, superior a ele. Considero mesmo inacreditável que uma tal questão seja posta, ainda mais em círculos reformados. Não há diferença alguma entre o eleito e o réprobo. Ambos são filhos de Adão e padecem de sua herança: uma natureza completamente pervertida. É claro que o cristão foi transformado. Mas sua transformação não é sua. Não é em sua natureza, nem em qualquer mérito seu, que se pode encontrar uma diferença. Mas no Cristo e em Sua obra no que crê.

Que fique claro: se largado à minha natureza, se solto a mim mesmo, não encontrarei nada melhor do que encontro nas pessoas por quem não nutro simpatia. A verdade do Evangelho não se percebe porque os eleitos não pecam, mas porque pecam. Não vivemos na prática do pecado e odiamos quando o cometemos. Mas jogue a primeira pedra quem está livre dele por completo. No Corpo de Cristo há quem lute mais e quem tenha menos a combater em si mesmo, conforme a graça de Deus lhe permitir. Mas não se engane aquele que pensa estar de pé…

Então que tipo de afastamento é este que tenho das pessoas? No máximo, é um horror pelo que vejo como se estivesse diante de um espelho. É verdade, eu não gosto delas. Mas quem disse que amar é o mesmo que gostar? Há entre mim e as pessoas que não gosto uma identidade tal que só assim é possível ter compaixão. Só assim é possível olhar para elas e perceber que precisam da salvação que me encontrou. Amá-las é querer para elas o que Deus me deu, dado por misericórdia e graça.

Há muito conheço o mito do bom selvagem. Tenho visto também o discurso do poderoso homem livre. E desde que nasci tenho me incomodado com o evangelho-moral. É um espanto, porém, que totalmente depravados se considerem diferentes por terem sido salvos de si mesmos.

Mas a quem reconhece sua miséria é possível misericórdia!

SOLI DEO GLORIA!

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